Você tem se esforçado pelo futuro dos seus filhos?

Um dia um certo rei, um homem que havia feito grandes coisas em sua vida, ouviu a sentença de que seus filhos seriam levados como escravos após a sua morte, mas que a ele nada aconteceria e ele viveria seus últimos anos de vida em paz, em seu palácio.

Aquele homem poderia ter se indignado com o futuro de seus filhos, mas para o espanto de todos, se alegrou com as palavras que afirmavam que ele teria paz pelo resto de sua vida e não se preocupou com o destino trágico que destruiria suas próximas gerações.


Essa é uma história triste, que relata o egoísmo e o egocentrismo de um homem que, mesmo tendo vivido décadas de glória, escolheu mais alguns anos de paz, ao invés de lutar pelo futuro de seus filhos.

Apesar das diferenças proporcionais entre essa história e as nossas vidas, inconscientemente muitos de nós estamos condenando nossos filhos a uma vida mais difícil e a ter mais dificuldades para ultrapassar os obstáculos necessários para a conquista de seus sonhos. Pior que isso, em alguns casos, a lacuna de conhecimento em como educar os filhos é tão grande que muitos deles estão crescendo sem sonhos e objetivos, o que pode transformá-los em escravos de uma vida triste e sem sentido.


Para piorar a situação, a quantidade de informações boas e ruins que as crianças recebem todos os dias é, inimaginavelmente, maior do que o indicado para sua idade, o que acaba gerando uma grande confusão em suas cabeças e até mesmo um desvio em seu caráter, pois elas ainda não têm bem definidos os parâmetros do certo e do errado e acabam absorvendo tudo, seja bom ou ruim.


Mas o que podemos fazer para mudar essa realidade?

Seria correto impedir nossos filhos de terem acesso à tecnologia, aos smartphones, tablets e computadores? Ou deveríamos ser mais rígidos, impor nossas regras e obrigá-los se serem mais obedientes? Quem sabe colocar câmeras por toda a casa e instalar programas espiões em seus celulares?


A resposta para essas perguntas, salvos casos específicos, é não.

Na grande maioria dos casos, o problema está na maneira como educamos nossos filhos e na falta de tempo de qualidade com eles. Aliás, o tempo de qualidade é o mais importante. Se estivermos presentes desde os primeiros anos, vivendo com eles suas novas experiências e aprendizados, estaremos aptos a perceber as mudanças que podem indicar problemas comportamentais, psicológicos ou até mesmo identificar a possibilidade de existência de algum transtorno global de desenvolvimento.


Esse era o ponto no qual eu queria chegar. Precisamos criar uma rotina em nossas vidas em que dedicamos parte do nosso tempo aos nossos filhos nas coisas simples do dia a dia. Por exemplo, ao invés de mandá-los arrumar seus brinquedos, faça isso com eles. Mostre com seu exemplo como essa tarefa deve ser feita e a importância dela. E isso não se limita a uma vez, mas deve se tornar parte de sua rotina. Participar com seus filhos das coisas boas e ruins demonstrará seu amor e preocupação com eles, e fará com que se sintam confiantes e seguros.


A importância da primeira infância

Durante a primeira infância, que são os primeiros cinco anos de vida, a criança passa por um intenso processo de desenvolvimento cognitivo e social. Nesse período seu cérebro absorve todas as informações que recebe e as usa para criar seus parâmetros do que é certo e do que é errado. Essa fase também é determinante para que a criança se torne mais confiante e capaz e é essencial que ela receba estímulos e oportunidades para desenvolver seus dons e aptidões.


Por exemplo, se criarmos monstros imaginários para que a criança se comporte, esses monstros a acompanharão por toda a vida, sofrendo metamorfoses imaginárias, até se transformarem em fobias que minarão sua confiança na fase adulta.


Se rirmos dela cada vez que ela tentar algo e errar, mesmo achando “bonitinho”, acabaremos com sua confiança e, provavelmente, na fase adulta ela terá dificuldades para tentar coisas novas.


Lembre-se: a criança usa nossas reações para classificar cada uma de suas ações, porém, nos primeiros anos de vida, ela ainda não sabe identificar bem as emoções e ver adultos rindo de seu erro pode se tornar uma situação constrangedora, negativa e traumática para ela.


O mais importante é entender que a vida trará experiências boas e ruins, mas nossa presença e nosso apoio fará toda a diferença em todas as fases da vida. Educar é um exercício de paciência, dedicação e amor e cada reação nossa durante esse processo será determinante para o sucesso nas fases futuras dos nossos filhos.


E quanto aos smartphones, tablets e computadores?

Vivemos em um período da história da humanidade em que quase tudo está interligado e depende da tecnologia. Negar aos nossos filhos a oportunidade de ter contato com esses aparelhos fará com que eles não desenvolvam habilidades imprescindíveis para o sucesso em nossos dias. Porém, como o que já foi citado acima, participar dessas atividades também é essencial para que a criança aprenda a utilizá-los de forma correta.


Mas enfim, o que aconteceu aos descendentes do rei?

A história nos conta que a omissão do rei em relação ao futuro dos seus filhos teve consequências tão ruins, que o desfecho, erro após erro de seus descendentes, foi o exílio e escravidão do seu povo.


Como disse acima, apesar da diferença proporcional dessa história com as nossas vidas, ela nos mostra que a displicência em relação aos cuidados com os nossos filhos pode ter consequências catastróficas em suas vidas.


E você? Tem se esforçado pelo futuro dos seus filhos?


Por Ronaldo J. Sugimoto

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